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Posts Tagged ‘Bandas Belgas’

Banda: Present
Álbum: High Infidelity
Ano: 2005
Pais: Bélgica
Subgênero: R.I.O/Zeuhl/Metal/Avant Prog

Músicos:

Roger Trigaux: Guitarra, Vocal.
Reginald Trigaux: Guitarra Vocal.
Pierre Chevalier: Piano, Teclados, Orgão, Mellotron, Vocal.
Davi Kerman: Bateria, Percussão Vocal.
Keith Mascksoud: Baixo.
Matthieu Safatly: Cello Vocal.
Fred Becher: Alto & Saxofone Tenor.
Dominic Ntoumos: Trompete.
Udi Koomran: Sons.
Yuval Mesner: Cello.
Meidad Zaharia: Acordeon.

Músicas:

1-6. Souls for Sale (27:40)
a. Souls For Sale (1) 3:16
b. Souls For Sale (2) 3:26
c. Souls For Sale (3) 3:41
d. Souls For Sale (4) 5:29
e. Souls For Sale (5) 4:57
f. Souls For Sale (6) 6:47

7-8. Strychinine for Chistimas (10:57)
a. Strychnine For Christmas (1) 3:57
b. Strychnine For Christmas (2) 7:00

9. Reve de Fer (9:23)

Tempo Total: 48:00

Esse legendário grupo belga foi formado depois que Roger Trigaux deixou o Univers Zero em 1980. Trata-se de uma banda tão boa quando o Univers Zero, que a cada álbum lançado surpreende pelo senso de inovação latente. Banda cujas atividades evoluem num ritmo bem lento, geralmente o Present costuma ficar bastante tempo no anonimato, quando, de repente, surge com um novo álbum; e talvez por isso seja extremamente difícil apontar um trabalho deles que não seja ao menos satisfatório. Porém o objetivo dessa pequena resenha é com certeza um dos álbuns mais surpreendentes da banda, e um dos melhores lançamentos R.I.O dos últimos 10 anos: High Infidelity (2005) não é um álbum para simplesmente mostrar que a banda está viva e grava discos, mas sim capaz de surpreender, superar e inovar. O que encontramos aqui é um disco forte, poderoso, cheio de vida e extremamente bem elaborado.

É um álbum variado onde tudo funciona maravilhosamente bem. A gravação é ótima, tudo dura o tempo que tem que durar, sem qualquer enrolação para fazer um Cd de 80 minutos. High Infidelity é básico em seus 48 minutos de duração. Se tivesse menos morreríamos de depressão, se tivesse mais morreríamos de raiva, ao ver como um disco excelente se perde fácil por causa de sua duração exagerada. Em suma, um álbum na medida certa.

A sonoridade transita entre R.I.O, Metal, influencias Zeuhl do Magma, avant rock em estado bruto, e há também pequenas pinceladas de folk e progressivo sinfonico. Imagine um King Crimson fase 73/74 dissolvido em radiação, tocando jazzcore e math metal numa convenção no centro do universo, com Yog Sothoth, Chutulu e Sauron como convidados de honra. Some isso a repetições hipnóticas extremamente envolventes, uma poderosa muralha sonora de guitarras ensandecidas e furiosas fundidas em profusão metafísica com os metais. Este é o universo explorado em High Infidelity. Os músicos são um verdadeiro esquadrão da destruição sônica determinado a estremecer as bases da terra. Capitaneados por Roger Trigaux , que atua como um guru psíquico, seus discípulos o seguem até o fundo do abismo sem pensar meio segundo sequer. Visto isso, vamos a algumas considerações acerca das composições que constituem o álbum…

Explosões sônicas, metais em fúria, guitarras rugindo distorções, vocais sepulcrais, está é Souls For Sale. O grande destaque do álbum, e uma das melhores faixas de toda a carreira da banda. Um terremoto decidido a abalar o universo! São aproximadamente 28 minutos em 6 partes com uma banda em erupção vulcânica, disparando ondas eletromagnéticos através de suas guitarras, teclados e percussões. São raros, mas existentes, os trechos mais melodiosos e lentos na faixa. Souls for Sale, com suas passagens surrealistas, evoca sensações de angustia e desolação. Pequenos temas se repetem obsessivamente, com pequenas variações, sustentados por um brilhante trabalho de percussão. Cria uma atmosfera de desespero, está música é a verdadeira visão de um mundo sem esperança. Quem ouve nota que os metais parecem abafar os restantes instrumentos, o que se torna mais notório quando o sax e o trompete tocam em uníssono. Não obstante, isto é proposital, pois só assim a banda conseguiria uma música extremamente alta e caótica. Tenha isso em mente quando for ouvir. Ao final de Souls For Sale, você passa a entender que as bases da terra são liquidas e que elas nem existem mais depois dessa música. Um verdadeiro tributo ao caos! Em momentos onde uma hora pode ser tão longa quanto a eternidade, é uma das minhas músicas preferidas quando quero quebrar a chata e maçante rotina diária.

Após o Apocalipse, o que resta é reconstruir o mundo a partir das cinzas. Atuando em clave oposta à música anterior, em Strychnine for Christimas temos duas partes totalizando quase 11 minutos. Um excelente contraponto e contratempo à la Gentle Giant. Timbres muito ricos (cello, mellotron, guitarra, trompete, piano, sax), em versão hard, que constituem uma melodia perfeita para quem procura música complexa com um som atual. Os vocais, cantados em inglês, são dotados da técnica necessária, não ‘encobrindo’ a música com qualquer lero-lero ou texto melodramático. Quando comparada à faixa anterior, soa calma; todavia, o clima de desolação se estende também a essa composição principalmente pelo funesto arranjo de cello onipresente em toda a composição.

Por fim temos a excelente Reve de Fer, uma das melhores músicas instrumentais do grupo. Traz a tona às influências do King Crimson, em sua fase mais experimental, e também toques industriais, antecipando, de certo modo, sonoridades que seriam exploradas no álbum Rhytimix, do UZ, que seria lançado um ano depois.

Recomendo enfaticamente essa obra do Present. Tenha certeza que esse disco irá surpreendê-lo, seja por sua loucura terminal, seja pela competência dos músicos, ou simplesmente por ser uma obra diferente, de uma banda em que adjetivos como “diferente”, “inovador”, “técnico” tornam-se pequenos perante a criatividade desse trabalho.

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Banda: Univers Zero
Álbum: 1313 Remaster
Ano: 1977
Pais: Bélgica
Subgênero: R.I.O/Avant Prog/Chamber Rock/Neoclássico

Músicos:

1313 Remaster:

Michel Berckmans: Fagote
Daniel Denis: Percussão e Bateria
Marcel Dufrane: Violino
Christian Genet: Baixo
Patrtick Hanappier: Violino, Viola
Emmanuel Nicaise: Harmônio
Roger Trigaux: Guitarra

La Faulx Live:

Michel Berckmans: Fagote e Oboé
Daniel Denis: Bateria & Percussão
Patrick Hanappier: Violino
Guy Segers: Baixo, Vocal e Efeitos Noise
Roger Trigaux: Harmonium & Guitarra

Músicas:

01- Ronde (15:14)
02- Carabosse (3:47)
03- Docteur Petiot (7:45)
04- Malaise (7:58)
05- Complainte (3:23)

Bonus Track: 06-La Faulx (Live) (28:07)

Por muito tempo ouvi falar da versão remasterizada dodebut do Univers Zero, o ótimo 1313 (1977). E por muito tempo cobicei essa versão, pois como fã e ouvinte deles há tantos anos, sentia mais do que vontade, mas até mesmo OBRIGAÇÃO de adquirir esse lançamento. Entretanto, por falta de condições (maneira bonitinha de falar que estava sem dinheiro), não pude adquirir esse lançamento de imediato. Entretanto, após ávidos meses de economia, eis que finalmente consegui comprar esse sensacional disco. O CD chegou há poucos dias, e desde então tem sido um dos discos que não saem mais do meu player, tamanha a excelência desse trabalho. Depois de muito ouvi-lo e ter uma opinião mais sólida, agora gostaria de comentá-lo. E agora, caros leitores, compartilho com todos vocês a extremamente positiva impressão que tive acerca desse excelente lançamento.

Acerca da remasterização, só posso tecer ótimos comentários: o som ficou muito mais encorpado que na versão original, o baixo mais poderoso, e um certo abafamento presente na versão original aqui foi inteiramente corrigido. Um trabalho primoroso de edição em estúdio! A arte gráfica do trabalho ficou muito bacana também. Contendo muito mais detalhes que a edição anterior, o CD trás consigo uma biografia da banda e uma porção de fotos raras. Sem dúvida nenhuma um documento precioso para essa obscura fase inicial da banda e um grande presente aos apreciadores do conjunto. Sem mais delongas, vamos discorrer um pouco sobre o maravilhoso conteúdo musical dessa obra…

1313 abre com a magnífica Ronde. Está música por si só já valeria a aquisição desse disco. Sem duvida nenhuma é uma das melhores obras que a banda já fez, extremamente majestosa, maravilhosamente bem composta e executada. É uma música deveras soturna, seu estilo ‘marcha’ vai progressivamente inquietando o ouvinte; trata-se d’uma composição muito atmosférica, e a maneira como os temas evoluem remetem a ambientes cada vez mais sombrios. Ela tem uma desenvoltura invejável, unindo uma variada gama de instrumentos (fagote, violino, percussão etc…), timbres muitíssimo bem escolhidos, bem como passagens ora rápidas e dissonantes, ora funestas e macabras (como, por exemplo, os últimos minutos da música) Ronde consegue prender a atenção do ouvinte durante toda a sua duração. Comparando com a versão não remasterizada, os instrumentos estão mais nítidos, com um som mais limpo e polido, principalmente o fagote.

Carabosse é uma intrigante melodia, sem dúvida uma das mais atípicas já feitas pela banda. Um andamento um tanto quebrado, algumas coisas a primeira vista parecem realmente não se encaixar. Porem é uma excelente composição, ainda que um tanto difícil de ser decifrada. Os timbres novamente são sensacionais. Aqui fagote e violino estão em destaque, esses dois instrumentos criam uma atmosfera extremamente rica, e mesmo que esta peça não seja tão majestosa quanto a faixa anterior, ela detém uma particularidade: um certo teor marginal e maldito que quebra um pouco a sobriedade que encontramos no resto do trabalho. Comparando com a versão não remasterizada não há grandes diferenças, a não ser aquela presente em todo o resto do álbum: O som está mais limpo e bem cuidado.

Docteur Petiot é outro dos destaques do trabalho. Aqui a guitarra de Trigaux, ainda que de uma maneira muito mais acústica e menos ruidosa que aquela que ele faria tempos depois no Present, aparece com mais espaço, executando, mesmo que brevemente, alguns ótimos arranjos. A música conta com ótimos temas que evoluem muito bem, quase tão bem como em Ronde. O violino aqui é o grande destaque, criando com maestria melodias ao gosto neoclássico ou então grandes momentos dissonantes. É uma das minhas faixas preferidas nesse trabalho, comparando com a versão não remasterizada, o som dos teclados e da guitarra está mais aparente, com isso a música passa a impressão de estar bem mais vigorosa.

Doutor Diabólico:

O personagem que dá nome a está música dos Univers Zero realmente existiu. Marcel André Henri Félix Petiot (1897 – 1946), o malevolente Doutor Petiot, é protagonista de um dos mais notórios e macabros casos da crônica policial européia na primeira metade do século XX. Durante a segunda guerra mundial, o médico tornou sua residência à prova de som. Lá matou, segundo dados oficiais, 63 pessoas, a maioria judeus que fugiam do horror da guerra. Visando lucro financeiro, o plano do médico era simples e sórdido: Ele dizia a judeus que queriam fugir do Holocausto que era da resistência francesa, e que podia garantir uma fuga segura para a América do sul. Cobrando por isso, claro; depois de receber o pagamento, aplicava em suas vitimas uma suposta vacina para prevenção de doenças tropicais que, na verdade, era um veneno letal. Após isso, as pessoas eram conduzidas e trancadas numa sala enquanto “esperavam pelos homens da resistência francesa”. À medida que o veneno fazia efeito e a vitima ia desfalecendo, Petiot deliciava-se com a cena, acompanhando tudo com êxtase diabólico através de um buraco na fechadura feito especialmente para esse fim. Depois, ele recolhia e enterrava os corpos, ou os queimava, para que ninguém suspeitasse de nada. Em 1944 foram descobertos corpos mutilados de aproximadamente 27 pessoas, e o médico foi preso. Porém, pouco tempo depois foi libertado, pois alegara que os corpos pertenciam na verdade a nazistas, e ele era nada mais que um francês cumprindo seu dever de cidadão! Todavia, outras acusações que ligavam o doutor ao regime nazista surgiram. Ninguém acreditou que ele era da resistência francesa, e muitos outros corpos também desmembrados foram encontrados à época no Rio Senna, acusações essas que viriam a cair sobre o soturno doutor. Petiot foi condenado à morte, e em 26/5/1946, foi guilhotinado. Alguns relatos também dão conta de que Petiot fora diagnosticado como caso psiquiátrico já em 1914, e que teria cometido numerosos atos de delinqüência, e até mesmo um homicídio, durante a adolescência; gravemente ferido na Batalha de Aisne, por ocasião da I Guerra Mundial, sofreu então um severo colapso nervoso; por fim, já formado em medicina, em 1921, foi acusado de consumir narcóticos… ou seja, era desde jovem um rapaz, ‘promissor’…

É difícil imaginar um sujeito mais visceralmente calhorda e monstruoso que esse Petiot… O camarada não apenas ganhava dinheiro de suas ‘presas’, mas ainda se deleitava com a morte delas! Isso é demais pra minha cabeça. Foi muito bom um estrume humano desses ter sido guilhotinado. Se estiver no inferno deve estar fazendo dublagem do cavaleiro sem cabeça! Pelo menos a música do Univers Zero é EXCELENTE e nunca duvidem disso! Voltemos ao 1313…

Malaise é mais uma excelente música. O álbum está MUITO distante de soar como um disco de rock, mas aqui nessa música quem sabe temos algum reflexo distante, quase crepuscular, dessas sonoridades, ainda que de uma forma totalmente acústica. Aqui o grande destaque é a bateria de Daniel Denis que faz um trabalho primoroso numa performance a um só tempo empolgante e complexa. Daniel Denis se não for o melhor baterista de todo o progressivo pelo menos está no topo. O cara é um monstro não só como instrumentista mais também genial na composição e escolha de timbres, sem dúvida um nome que merece respeito. Comparando com a versão não remasterizada, o som do baixo é bem mais visível nessa aqui.

A depressiva Complainte é uma música dita por muitos como destoante do resto do disco. Uma composição quase solo para violino, ela soa áspera e extremamente fria. Os arranjos não são nada calorosos e parecem transmitir uma desesperança terrível. Já se assemelha com algumas passagens do disco seguinte o Heresie, ainda que aqui o clima seja bem mais depressivo do que soturno, como no álbum seguinte. É originalmente a faixa que termina o 1313, porem nessa versão a bandas nos brindou com um presente. Uma dádiva e uma maldição, a verdadeira ruína do mundo, todos que ouvirem devem se curvar perante ela, pois ela está acima da compreensão de qualquer um, inclusive da minha…

O Último Folego antes do mergulho: A FOICE

A grande razão pela qual adquiri essa versão do 1313 foi a sensacional bonus track que a banda inclui nele: uma sensacional versão ao vivo da monstruosa La Faulx. Confesso, porém, que estava muito reticente quanto a essa versão, porque, afinal de contas, como o UZ poderia me surpreender depois de tantos anos de audição com algo que já conheço? E sobretudo com essa faixa que, em sua versão de estúdio, é provavelmente uma das músicas mais satânicas, malditas e malévolas já realizadas; como superar algo assim, será realmente possível? Porem não tardou muito quando abri os olhos, e bastaram apenas os minutos iniciais para entender que sim, eles conseguiram! Originalmente a música aparece na abertura do clássico Heresie (1979), que também resenhei aqui no blog. Essa versão ao vivo, que data do mesmo ano de sua co-irmã de estúdio, foi gravada durante uma apresentação da banda na Rádio e TV belga, e foi executada com o mesmo time de músicos que gravou Heresie. A qualidade de gravação do registro é excepcional, superando a um só tempo a versão de estúdio, bem como outras versões piratas dessa faixa que podem ser encontradas em bootlegs internet a fora. Esqueça essas versões! A versão definitiva da FOICE está aqui! E não é só isso. Essa versão é talvez a síntese de toda a sonoridade da banda e, se calhar, o ápice de toda uma proposta musical: o Chamber rock. Em seus mais de 28 minutos de duração, três a mais que a original, é uma viagem macabra e infindável rumo as planícies do inferno mais profundo que a mente humana é capaz de imaginar. A intro está arrasadora, mais extensa e arrebatadora que a original. Os primeiros 5 minutos mais parecem uma preparação, tudo soa disperso e conturbado, até que os sumos sacerdotes do MAL finalmente acertam o tom, lastreando toda a obra numa tensa e sinistra base de harmonium. Guy Segers o baixista do UZ, aqui convertido em Lúcifer, começa a declamação dos versos profanos aos seus fiéis! O recital aqui é muito mais ameaçador que na versão de estúdio, pois a voz está em primeiro plano, e não soterrada na mixagem, tal como acontecia na versão original. O ritual segue, e o recitativo dá lugar a urros cada vez mais intensos. Divindades de HP Lovecraft, o juízo final idealizado por Edgar Allan Poe, Orcs de Sauron, por Deus, todas as referencias literárias possíveis do horror e do mal parecem ficar pequenas diante do que essa música conjura! Passada a tempestade dos primeiros 11 minutos o ritual se encerra e toma contornos mais racionais. O que se segue é um fantástico exercício do mais nefasto, irônico e aberrante chamber rock já feito. Fagote e violino ultra dissonantes, entrando em colisão cósmica com as percussões cada vez mais raivosas. Interessante observar que a faixa é claramente dividida em dois movimentos: o primeiro é o ritual satânico, e o segundo, o mais competente e bem executado chamber que eu já ouvi, empolgante, elegante, complexo e extremamente sombrio, porem não diabólico como nos primeiros momentos da música. Ao final dessa obra, eu nem sei dizer que se passou pela minha mente. A alma parecia ter se desgarrado do corpo e cada segundo parecia ser tão longo quanto a eternidade, creio que só voltei a mim realmente quando finalizada a execução da música, e a platéia começa a aplaudir.

La Faulx pode ser definida como o último e profundo suspiro antes de desaparecer completamente. E a minha vida segue como as sensações dessa música. É como se tudo tivesse chegado ao fim de uma maneira discreta em que poucos notassem, a minha única esperança é que aqueles que eu quero que percebam realmente o notem. No final nada vai acabar numa grande explosão e sim num último, derradeiro e cansado suspiro. Imaginem esse momento leitores! Poderia ter perfeitamente La Faulx como fundo sonoro!

Sem muito mais o que acrescentar, é isso. Esse remaster é um deleite sonoro e gráfico. 1313 é um belíssimo disco do UZ e um dos melhores trabalhos da banda, quiçá no mesmo plano de excelência que a masterpiece Heresie. E o fato do seu poderio ter sido intensificado com a poderosíssima versão inédita de La Faulx só engrandeceu ainda mais o trabalho. Ótimo disco. Essa indicação é absolutamente imperdivel!

Como amostra do poderio desse trabalho, eis aqui para vocês a versão integral de La Faulx presente no álbum. Boa audição… e boa sorte!

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Heresie 1979

Músicos:

Michel Berckmans: Fagote, Oboe.
Daniel Denis: Bateria, Percussão
Patrick Hanappier: Violino, Viola.
Roger Trigaux: Guitarra, Piano, Orgão, Harmonium
Guy Segers: Baixo, Voz

Faixas:

1. La Faulx (25:18)
2. Jack the Ripper (13:29)
3. Vous le Saurez en Temps Voulu (12:56)


Subgênero: R.I.O/Avant Prog

Univers Zero é uma banda belga vastamente cultuada pelos fãs de Rock Progressivo de vanguarda, sendo freqüentemente indicada como uma das melhores bandas do gênero. O Univers Zero nos brinda com uma sonoridade calcada na música erudita (referencias óbvias a Stravinsky e Messiaen), sendo este um motivo para também ser incluído como um representante do Progressivo neo-clássico.

Falar sobre o Univers Zero é antes de tudo respirar fundo, para depois, por fim, submergir em um mundo mal-assombrado por fantasmas do passado. Descer a um abismo escuro onde você pode encontrar uma saída, mas isso não lhe garante que você esteja indo para um lugar melhor.

Em seu segundo álbum, Heresie, de 1979, essa atmosfera completamente cinzenta e conturbada é levada ao extremo. O competente instrumental serve de tapete para transpor barreiras entre o animal e racional. As músicas em sua maioria fazem o uso sem dó de violino e fagote, sendo esses sustentados por um sólido ritmo das percussões e poderosas intervenções de harmonium.

O  álbum em tela se mostra um complexo e conturbado trabalho de chamber rock com forte inspiração na música erudita do início do século XX.

É tambem coeso e bastante climático, trazendo a tona uma atmosfera perturbadora e envolvente.

Isso foi aproveitado em pouco mais de 50 minutos de duração em 3 grandes faixas. A gigantesca La Faulx é, quem sabe, não só a melhor faixa desse álbum, mas da banda. Seu andamento é cadenciado, com bastante percussão e grandes passagens de fagote e violino. A música tem provavelmente a melhor passagem do álbum: um recital sinistro sustentado por um tenso harmonium nos primeiros 8 minutos de música.

Em Jack The Ripper, a segunda faixa, temos exatamente o contrário, os temas evoluem facilmente, a música flui com extrema agilidade, continuando o clima de tensão, que é fortemente representado aqui. A música nos 3 últimos minutos guarda uma explosão sonora que culmina no seu final.

E para Vous le Saurez en Temps Voulu, nada resta a não ser concluir o álbum de uma maneira mais discreta, menos sombria, porém com potencial e classe. Um enceramento digno para um excelente trabalho.
Em suma caros amigos um achado! Uma pérola em forma de álbum. Parada obrigatória para qualquer fã de progressivo. E se você principalmente quer ouvir coisas diferentes com grande destaque para experimentalismos e quebra de padrões, este é o disco certo.

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